“Só a antropofagia nos une”

Não, não é como querem fazer acreditar a direita, que hoje mobiliza a indignação, e/ou os defensores e porta-vozes da chantagem que quase sempre começa com as palavras “nunca na história desse pais…”. Podemos avançar na democracia, forçar a abertura de brechas nas instituições e articulações que impedem tal avanço. Os desafios de crítica e organização são muitos e, talvez de longo prazo. Um desses desafios, ao meu ver, é vencer o PMDBismo, essa merda na qual estamos atolados até o pescoço e que parece ter contaminado não apenas os partidos políticos, mas também e principalmente as atitudes da maioria de nós. Os resultados das últimas eleições me parecem denotar isso.

Vejo o PMDBismo como um modo de ser em política, mais que uma filiação partidária. O PMDBismo não é prática apenas do PMDB, é uma praga que contaminou a maioria dos partidos, as instituições estatais e faz prevalecer na política os interesses mais escrotos. É uma articulação nefasta e parasitária de achacadores que querem o poder para se alimentarem e para alimentarem as parasitárias elites que vivem do Estado. É algo presente em governos de PT e PSDB, é o modo de fazer política de PSD, PROS, DEM(o), PSB, PP e outros. Na falsa disputa entre PT e PSDB há discursos que se opõe, mas tem os mesmos pés (O PMDB), com as mesmas políticas (as do PMDBismo) e com práticas (PMDBistas, como a mentira, a chantagem e a corrupção) que visam manter uma polarização que é de interesse de ambos, a ponto de terem se unido na última eleição para derrotar Marina Silva, uma candidatura que os pólos da falsa polarização viram como ameaçadora. Dilma, Lula e os estrategistas do PT fortaleceram o PMDBismo, e agora dependem dele, mesmo sendo uma dependência que leva à morte.

No Rio de Janeiro, PMDB e PT investem contra os direitos humanos e contra a vida, para atender a interesses próprios e de alguns setores empresarias. Moradores da Vila Autódromo, Horto, Favelas da Maré e do Alemão, Região Portuária e outros territórios sabem bem o que é isso. Garis, Professores, Pessoal da Saúde, Bombeiros e Policiais Militares também. O PMDBismo no Rio, é bom para pessoas como Eike Batista e Cavendish, para a Rede Globo, as empreiteiras, as empresas de energia, de telefonia, de transportes e de fabricação de bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral, para os que ganham com a privatização das cidades e com a violação de direitos humanos. É uma pena que o PT tenha jogado no esgoto a sua história e os seus propósitos originais, para assumir-se PMDBista e ser cúmplice de tantas barbaridades. Mas é bom que se diga, porém, que foi o PT que acabou e não as lutas e as pautas da democracia. Não precisamos da transcendência de bandeiras e estrelas, mas de nossa própria criatividade e determinação. Aprendamos com as últimas lutas dos Garis do Rio.

As instituições apodrecem, mas a democracia pode avançar com a organização de dinâmicas Black Bloc contra o PMDBismo. Assim como a luta contra a ditadura uniu setores diversos e até divergentes, penso que a defesa dos direitos, que passa pela destruição do PMDBismo, possa produzir um comum das lutas. Que a antropofagia nos una.

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