Mandioca de casca grossa

A semana que terminou e foi, praticamente, a semana de encerramento das atividades da economia e da política em 2015, começou com o aniversário da presidenta Dilma, que comemorou com a operação catilinária, com as manifestações organizadas por movimentos sociais de esquerda que apoiam ao seu governo e com um presente do STF, embora o mafioso Eduardo Cunha, detrator de Dilma e por isso corrupto do mal, já esteja articulando com seus paus mandados uma forma de virar o placar favorável ao governo neste momento. Joaquim Levy, que não tinha mais função no governo desde que o processo de impeachment virou realidade com apoio do “mercado” e que já vinha sendo fritado no governo e pelo corrupto do bem Renan Calheiros, resolveu voltar para o bradesco. Em tese é bom para o país que uma cabeça como a do Levy não esteja mais à frente do ministério da fazenda, mas na prática pode significar mais dificuldades para quem vive do trabalho, pois as oposições no “mercado” e no congresso podem ser maiores, e o governo além de ruim para a democracia, é fraco politicamente. O que Nelson Barbosa assumiu não foi nem um pepino, mas uma mandioca de casca grossa que nem a mais lubrificante das vaselinas funcionará e, por isso, deve ser transferida para a sociedade.

No Rio de Janeiro, Luiz Pezão e o Dom Picciani, fascistas aliados de Dilma, por isso corruptos do bem, chefiam a sangria de recursos do erário do Estado para bancos, empreiteiras, empresas de TV, telefonia, energia, “prestação de serviços”, OS e para o caixa de “recursos não contabilizados” do PMDB e partidos aliados, que custa direitos e vidas (sobretudo de pobres e negros), e resolveram tomar uma medida para pagar integralmente a segunda parcela do 13º dos servidores do estado, parcelada em 5 vezes: conseguiram que o bradesco empreste o valor aos servidores como “adiantamento” das parcelas restantes. Na verdade, são os servidores que emprestam ao governo. Quem não quiser o “adiantamento”, segundo o jornal O Dia (http://goo.gl/iFXpeK), vai até receber as parcelas com um jurinho para “compensar”. Muito pior que isso são as medidas que buscar reduzir recursos para a educação e as pesquisas científicas (PEC 18/2015). No Rio de Janeiro, cujo governo diz não ter dinheiro para nada “por causa da dependência econômica que o Estado tem da Petrobrás”, estamos assistindo a uma cínica e infame sangria de dinheiro público, que custa vidas e direitos, feita pelos gestores do governo e seus sócios políticos e empresariais: 39 milhões para supervia, bilhões de isenções fiscais e 5 vidas de jovens negros para a AMBEV (sem falar nas vidas interrompidas pela política de “segurança” para viabilizar interesses de empreiteiras, bancos e empresas de telefonia, energia, TV a cabo, etc), fim de instituições públicas para viabilizar privatizações de serviços (e transferências de dinheiro público para “prestadoras de serviços”), milhões do Fundo de Saúde da Polícia Militar para empresas especializadas em corrupção (cujos verdadeiros donos devem estar na ALERJ e nos prédios do governo), através de licitações fraudadas, que renderam boas propinas para caixa de “recursos não contabilizados” de oficiais da PMERJ, políticos e partidos.

Com ou sem processo de impeachment da presidenta, a frase “não vai ter golpe” chegou bem atrasada, pois a esperança foi golpeada e nocauteada logo no início do ano, tal como o José Aldo, pelo peemedebismo petista e pelas máfias partidárias da oposição, que insistem numa falsa polarização que é nada mais que disputa pelo poder de projetos semelhantes, um mero terceiro turno pós-eleitoral. Em 2015 foram muitas mentiras e arbitrariedades governamentais em Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Paraná, Goiás e nos estados da federação, foram muitas ações de um banditismo conservador-militar-cristão no congresso, muitas disputas políticas do STF (com belas fundamentações técnico-jurídicas), algumas perdas de direitos trabalhistas, ataques aos direitos de povos indígenas e tradicionais, muitos jovens pobres, negros(as), assassinados e estudantes agredidos pelo Estado, retrocessos nas políticas de educação, de ações afirmativas, de saúde e de “segurança”, aumento do desemprego no setor privado e atrasos de salários em diversos entes do setor estatal, agravado por um voraz aumento de preços de produtos, serviços e impostos. Já estamos pagando mais por menos direitos e respeito. O mar de lama que a corrupção da democracia não conseguiu conter vazou na sociedade e está intoxicada pelos atuais partidos políticos, que estão contaminados pelo peemedebismo, a praga devastadora das poucas possibilidades democráticas da política brasileira. Já houve golpe.

De qualquer forma, mesmo com pouco ou nenhum dinheiro no bolso e com a saúde vendida para as “organizações sociais”, vale comemorarmos Natal e Reveillon, e curtirmos férias e carnaval, pois depois da quarta-feira de cinzas, quando “desce o pano” como diz o poeta, é provável que daremos de cara com uma situação pior que a de hoje na economia e na política. Os(As) políticos(as) e partidos canalhas que se digladiam a favor ou contra o impeachment, todos(as) contra a democracia, não têm a menor preocupação com os impactos que causam na sociedade os seus embates, atos, articulações, omissões e contas na suíça administradas pelo André Esteves e o irmão do Eduardo Paes.

No Estado Brasileiro não parece haver instituição que mereça ser preservada. Estamos num labirinto em que só a antropofagia pode encontrar saída.

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