Democracia: o desafio é grande e complexo

Vivemos uma guerra midiática, principalmente na web e especialmente no âmbito do facebook, uma disputa política entre governismo e anti-petismo. Uma fração do levante de junho de 2013 está viva, mobilizada e se apresentou nas ruas de várias cidades do país em 15/03 e 12/04 de 2015. Na mídia corporativa assistimos e ouvimos, praticamente, uma só visão das manifestações, a que apresenta o governo Dilma como o vilão, isentando, por exemplo, o PMDB, como se este não fosse também governo. Na mídia corporativa prevalece mais o anti-petismo do que o anti-governismo. Na Web, a esquerda e o governismo apresentam contra-informações, outras informações, pontos de vista e análises sobre o que vivemos atualmente no país e sobre as manifestações. Na Web, o governismo pago ou militante chama os manifestantes de “golpistas”, “elite branca”, “manada”, “manipulados”, etc, inclusive com distorções e montagens grosseiras de palavras de ordem em cartazes. Sim, o racismo, o fascismo, o golpismo, a saudade da ditadura militar e outras coisas que eu classifico de abomináveis de fato estão presentes nas manifestações. Porém, me parece importante aceitarmos, mesmo que pela “direita”, que há uma indignação consciente e pragmática que se expressa.

O governo é também fascista, racista e pau-mandado do Capital parasitário (Vejam isso: http://naofo.de/3u80). A campanha de Dilma mentiu na eleição, declarou que não faria coisas que estão sendo feitas desde de 01 de janeiro de 2015, que ao meu ver não diferem do que seria feito por Aécio Neves, caso fosse eleito. O que pensar diante do ajuste fiscal que torna mais difícil a vida das famílias que vivem do trabalho, sobretudo as mais pobres, que são as que estão pagando a conta da falta de democracia, da corrupção, dos megaeventos, da gestão autoritária e corrupta da política, da economia, dos recursos hídricos, das fontes de energia e até das bombas, balas de borracha e letais usadas contra manifestantes, pobres e negros em nome da “ordem” e da “segurança” (na verdade, em nome dos interesses empresarias que financiam campanhas da direita à esquerda)?

Ao meu ver, governismo e anti-petismo falam a mesma língua e usam as mesmas táticas um contra o outro, defendem políticas semelhantes e só querem o poder. O enigma que a luta pela democracia deve enfrentar é a produção de uma segunda via, pois os interesses biopolíticos e parasitários do Capital parecem prevalecer neste momento, além de todos os crimes estatais-empresarias-partidários que temos assistido desde maio de 2013: redução da maioridade penal e terceirização violadora de direitos em vias de aprovação, projeto de ajuste fiscal do governo (que também mete a mão no bolso dos pobres e viola direitos trabalhistas), projeto do mafioso Eduardo Cunha e mais de 400 achacadores para legalizar o empréstimo empresarial para campanhas eleitorais. A conjuntura é bem desfavorável à democracia, o desafio é grande e complexo.

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