Ainda sobre eleição

Temos pela frente um segundo turno eleitoral entre Dilma e Aécio. E, no Rio de Janeiro, entre Pezão e Crivella. Neste cenário, do meu ponto de vista, temos disputas fechadas para os desejos de democratização, atualizados pelas lutas e ocupações de ruas e redes a partir de maio-junho/2013, pois são disputas eleitorais entre representações dos que reprimiram violentamente as lutas e, portanto, negaram pela força as vozes das ruas e as ações afirmativas de radicalização da democracia propostas por essas lutas. O que temos aí para o segundo turno são candidaturas dos que, demagogicamente, dizem reconhecer a legitimidade de manifestações democráticas, “desde que as instituições sejam preservadas” (sic). Sabemos que para avançarmos, muitas das nossas instituições atuais, por seus racismos, desrespeitos aos direitos humanos e subserviência ao capital parasitário, devem ser destruídas e substituídas, entre elas o sistema de representação político e partidário, algo que nenhuma das candidaturas vai tocar, qualquer que seja a/o governante.

A pauta das grandes corporações, do capital financeiro e da classe sanguessuga está garantida. Mas elementos importante da pauta das lutas pós-junho-2013 e de uma agenda de democratização não constam nos “planos de governo” e de reformas que se apresentam, como transporte público, educação e saúde públicas de qualidade, escolas como pontos de culturas, acesso público às estruturas de informação e comunicação, salário de cidadania, democratização da mídia, intervenções urbanas que priorizem melhoria das condições de vida e não lucros para empresários, projetos e orçamentos participativos, fim das polícias militares (desmilitarização), fim da reeleição para todos os cargos legislativos e de governo e outros. Não há esquerda e direita, há disputas pelo poder de estar à frente do consenso conservador que aí está e, portanto, não há sinais de abertura a possíveis novos processos de democratização, principalmente àqueles em que as singularidades sejam reconhecidas e respeitadas como tal, principalmente as especificidades negras, indígenas, LGBTs, das favelas, das periferias, do campo, da cultura viva e do trabalho produtivo. Aos que entendem positivamente o vandalismo do levante de junho-2013 e seus desdobramentos até então, penso que a aposta deve ser na continuidade das ocupações e no ‪#‎vaiternósnaruadenovo‬.

É preciso continuarmos a tentativa de fazer multidão. E é preciso continuarmos dizendo:

DE NÓS NÃO VAI TER ARREGO
Em nós o desejo é maior que o medo. E pra você não tem segredo, nós somos, monstruosa e nua, a multidão que não vai sair das ruas e nem vai dar arrego ao poder da covardia. De nós a tua paga é enfrentar a praga da democracia. Tu que cumpres ordens de bandidos, vais ficar espantado com tantos Amarildos mascarados sem a máscara da farda. Em nós o amor é a arma que não vai te dar sossego, o Estado da corrupção armada de nós não vai ter arrego.

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