Quantas vidas vale um caminhão da AMBEV e os interesses dos que exercem poder?

A ultima semana foi “tensa” e começou tristemente, com 5 meninos negros deliberadamente assassinados pela polícia militar do Estado do Rio de Janeiro, uma instituição infame e racista, com práticas da ku klux klan e do estado islâmico. Neste triste caso há um dado alarmante: na ação de exterminio da ku klux klan azul do Estado do Rio de Janeiro, segundo matéria do jornal O Dia, os agentes da instituição criminosa agiram para “recuperar a carga de um caminhão da cervejaria Ambev, que estava sendo saqueado próximo ao Morro da Lagartixa”. Vejam a serviço de que atua a nossa ku klux klan azul, e vejam do que é capaz essa instituição criminosa, provavelmente, pelo arrego que ganhariam os envolvidos na ação (dois oficiais que deram as ordem de recuperar o caminhão e os quatro pistoleiros, todos do 41º batalhão, segundo a reportagem). Pezão e Beltrame, como sempre, com o cinismo que deixa nítido seu desprezo, mostraram “indignação”. O governo Dilma ficou calado, como costuma fazer em casos semelhantes. E o comando da PM, também como costuma fazer, vai “apurar a conduta dos maus policiais”, como se a ação fosse pessoal e não institucional. E nós nos perguntamos: Quanto vale um caminhão da AMBEV?

Na política, o destaque foi o aceite do pedido de impeachment da presidenta Dilma, pelo presidente do lixão de Brasília, o mafioso Eduardo Cunha. Uma vergonhosa represália do mafioso que causará ainda mais problemas para o país e, provavelmente, tornará mais alta a conta social que os que vivem do trabalho já estão pagando. Do outro lado, a presidenta honesta que mentiu para se reeleger, em seus discursos pós-aceite do pedido de impeachment, se diz o bem que reagirá contra o mal. A lama podre represada na praça dos três poderes vazou e estamos sentindo o seu componente mais tóxico, o PMDB, partido que no Rio de Janeiro mata pobres e pretos com apoio do PT, que por sua vez tem feito as mesmas coisas (o governo petista da Bahia é outro que parece não se importar com os crimes da polícia militar racista daquele Estado). Nada diferente do que faz a aliança PDSB-DEMo em São Paulo e no Paraná. Quanto valem os interesses dos que exercem poder?

Nossa democracia representativa (governos, parlamentos, partidos, sindicatos, associações), cujas pessoas que
ocupam os cargos, a maioria delas, não têm respeito ao fato de terem sido eleitas, cada vez mais se apresenta como “corrupção da democracia”. Novas instituições devem ser inventadas, instituições que de fato expressem em discursos e práticas a multiplicidade de singularidades, além de bancos, empreiteiras e da sua própria sobrevivência. As “crises” que se apresentam no Brasil são, no fundo, componentes dessa crise da representação.

O ciclo que foi inaugurado em 2013 não terminou e continua tentando abrir brechas e ampliar a democracia. Esse ciclo não foi só a potencia das grandes manifestações de junho/13, continuou e continua nas greves dos professores do Rio em 2013, nos rolezinhos, na greve dos garis, nas lutas dos povos indígenas, nas manifestações contra a copa, nas marchas contra o racismo e o extermínio estatal de jovens negros, na luta dos estudantes de São Paulo em defesa da escola pública.

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